quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mudança climática acabará com as geleiras do Equador em 70 anos

EFE Multimedia (© Copyright (c) Agencia EFE, S.A. 2010, todos os direitos reservados) César Muñoz Acebes.

Reserva Ecológica Antisana (Equador), 19 dez (EFE).- As geleiras do Equador, que coroam vulcões de mais de cinco mil metros de altura, desaparecerão em 70 anos no ritmo atual de degelo causado pelo aquecimento global, o que alterará o ecossistema e o volume de água para consumo humano, segundo os especialistas.

Uma situação similar acontece no Peru, na Bolívia e na Colômbia, que compartilham com o Equador as geleiras 'tropicais' da América.

Um deles é o Antisana, um enorme pico de 5.753 metros de altura com dois cones vulcânicos por cujas quebradas descem as águas geladas que terminam na maioria das torneiras dos lares de Quito, uma cidade de 2,4 milhões de habitantes.

O previsível desaparecimento dos gelos eternos terá efeitos no frágil local ermo que o rodeia, composto de extensões de gramíneas baixas, e onde habitam espécies em risco de extinção como o urso de óculos e o condor.

A perda do líquido contido nas neves não é o grande problema, mas os efeitos da falta desse foco frio nesse ecossistema, que atua como uma esponja, ao absorver a água da chuva e do degelo, disse Jorge Núñez, especialista no Equador do Projeto de Adaptação ao Impacto do Retrocesso Acelerado de Geleiras nos Andes Tropicais (PRAA).

'Ao afetar-se os locais ermos teremos danos irreversíveis na biodiversidade e na disponibilidade de água, no armazenamento e na regulação de água', alertou Núñez.

Apenas 8% da água que desce do Antisana procede da geleira, enquanto o resto sai do local ermo, explicou María Victoria Chiriboga, diretora de Adaptação à Mudança Climática do Ministério do Meio Ambiente do Equador.

A Colômbia, assim como o Equador, tem locais ermos, mas a situação é diferente no Peru e na Bolívia, onde são poucos e onde o abastecimento de água depende mais, por isso, da precipitação e da água armazenada nas neves, disse Núñez.

O Peru concentra mais de 70% das geleiras andinas, a Bolívia 20%, enquanto Equador e Colômbia contam com 4% cada um.

Sua taxa de decréscimo depende de fatores como sua localização e tamanho, mas em geral é similar em toda a região, segundo Núñez.

O Equador perdeu 30% da massa de seus nevados nos últimos 30 anos, por isso que a este ritmo desaparecerão totalmente dentro de 70 anos, previu o especialista.

Na Bolívia o fenômeno já cobrou uma vítima, o Chacaltaya, um pico de mais de 5,4 mil metros de altura que perdeu sua camada branca em 2009.

O culpado é a mudança do clima do planeta, que hoje em dia é 0,8 graus centígrados mais quente em média que na época pré-industrial, segundo os cientistas.

No Equador a alta foi de um grau centígrado apenas nos últimos 50 anos e em alguns lugares da região andina esse alta chega a dois graus centígrados, de acordo com María Victoria.

'Não há meio humano capaz de deter o retrocesso geleiro, o que podemos fazer é trabalhar para atenuar os impactos', comentou Núñez.

E para isso é fundamental contar com dados sobre a atmosfera da alta montanha, que é muito mal conhecida nos trópicos. Para isso, os países andinos instalaram estações meteorológicas em alguns de seus nevados com apoio do PRAA e da cooperação internacional.

O Equador vigia por enquanto apenas o Antisana, onde conta com três instalações automáticas a diversas alturas e outras três menores em cima do gelo.

As estações medem o vento, a radiação solar, a altura da neve, a precipitação, a temperatura e a saturação de água do solo, que revela a capacidade de armazenamento do local ermo.

De algumas delas se vê nas manhãs claras o cone perfeito do Cotopaxi, outro vulcão cujo cume branco diminui a cada dia.

A mudança climática também minguará as colheitas na América Latina e gerará inundações e secas, segundo um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A alta da temperatura em dois graus centígrados acima do nível atual provocaria danos crescentes na região, que chegariam em 2050 a cerca de US$ 100 bilhões, de acordo com seus cálculos.

Esse dado deveria fazer com que não só os ministérios de Meio Ambiente se preocupem pelas geleiras, mas também os de Economia. EFE
cma/rsd

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Mosquito invasor ameaça ecossistema da Antártida

Inseto pode provoca deslocamento ou a extinção de espécies únicas na região, dizem cientistas britânicos.


Mosquito invasor ameaça ecossistema da Antártida
"Mosquito / AFP"
Uma espécie invasora de mosquito pode alterar drasticamente ecossistemas que, por milhões de anos, se mantiveram isolados na Antártida, revela um novo estudo.

Os mosquitos podem liberar grandes quantidades de nutrientes no solo, o que mudaria a maneira com que as espécies nativas têm vivido e evoluído, segundo um levantamento do centro de pesquisas britânico British Antarctic Survey.

A equipe acrescentou que a espécie, uma variedade conhecida como Eretmoptera murphyi, possui características que lhe permite sobreviver em condições extremas.

'O principal papel na natureza desse animal é remover o lixo. Em outras palavras, ele ajuda a decompor coisas no solo. O problema é que a densidade populacional do mosquito na área em que tal espécie foi introduzida já é responsável por remover mais lixo do que a comunidade que já se encontrava ali', explica o pesquisador Peter Convey, responsável pelo estudo.

Isto poderia significar uma mudança significativa no funcionamento do ecossistema local, acrescentou Convey.

Ecossistema ameaçado

Em entrevista à BBC, Convey disse que o principal risco é o deslocamento ou a extinção de espécies únicas que existiam naquela parte da Antártida.

O caso do Eretmoptera murphyi é apenas parte de um problema maior de espécies invasoras na Antártida.

Segundo a equipe que liderou o levantamento, cerca de 5 mil membros da comunidade científica e 30 mil turistas visitam a área a cada ano.

'O maior risco é que essas pessoas trazem consigo espécies que nunca habitaram a região. Por exemplo, se suas botas estiverem com lama, novos bichos podem depreender-se delas e colonizar a área', explica.

As espécies de mosquitos analisadas pela equipe de cientistas têm a capacidade de sobreviver em diferentes condições em toda a região, o que pode provocar um impacto amplo e duradouro.
'Se não tomarmos cuidado na forma como nos movemos, podemos nos tornar um vetor de transporte muito importante - e perigoso', disse Convey.

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Áreas protegidas argentinas se projetam para o mar

Envolverde

A Argentina está dando passos acelerados na criação de áreas marinhas protegidas.


Ilhas Malvinas, o arquipélago reclamado por Argentina e Grã-Bretanha. Foto: Divulgação/Internet
Ilhas Malvinas, o arquipélago reclamado por Argentina e Grã-Bretanha. Foto: Divulgação/Internet
 Buenos Aires, Argentina, 18/12/2012 – A Argentina está dando passos acelerados na criação de áreas marinhas protegidas. Nos últimos dez anos, este tipo de preservação em águas salgadas se estendeu, e pela primeira vez se somará à rede uma área no Oceano Atlântico. O Congresso aprovou no final de novembro a criação de dois parques costeiros em águas oceânicas na província de Santa Cruz e deu meia sanção ao projeto de criar uma área protegida em torno da meseta submarina identificada como Banco Burdwood.

Esta área, com uma diversidade biológica muito rica e alta vulnerabilidade, está localizada nas Ilhas Malvinas, o arquipélago reclamado por Argentina e Grã-Bretanha, e 150 quilômetros a leste da Ilha dos Estados, que pertence à província de Terra do Fogo. Será a primeira área protegida oceânica dentro da zona econômica exclusiva da Argentina, mas fora da área de influência jurisdicional das províncias, o significa que, devido à estrutura federal do país, ficará sob administração do Estado nacional.

A iniciativa do Banco Burdwood convocou múltiplos atores políticos, cientistas e ambientalistas, que apoiaram a ideia. O projeto foi aprovado quase por unanimidade na Câmara de Deputados e caminha para uma segura confirmação no Senado.

Com esses passos, “nos aproximamos muito do compromisso de proteger 10% dos mares até 2020”, disse à IPS a coordenadora do Programa de Áreas Protegidas da Fundação Vida Silvestre Argentina, Andrea Michelson. A ativista se referia à meta 11 do Plano Estratégico para a Diversidade Biológica 2011-2012, assinado pelos países participantes na décima Conferência das Partes (COP 10) do Convênio sobre a Diversidade Biológica, realizada em 2010 na cidade japonesa de Nagoya.

A meta é que, até 2020, pelo menos 10% das zonas marinhas e costeiras, “especialmente as que apresentam particular importância para a diversidade biológica e os serviços dos ecossistemas, estejam conservados por meio de sistemas de áreas protegidas”. A Administração de Parques Nacionais indica que, neste país, que tinha protegido apenas 0,5% de sua costa marinha em 2003, essa área aumentou em novembro para 1,8%, após a criação dos dois parques de Santa Cruz, e com o Banco Burdwood se poderá chegar a 4%.

Até agora, as áreas protegidas existentes são costeiras. Trata-se dos parques Marinho Costeiro Patagônia Austral, na província de Chubut, Monte León e os recém-criados Isla Pingüino e Makenke, todos em Santa Cruz. Contudo, com a criação da área oceânica, muito mais extensa, se avança rapidamente para alcançar as Metas de Aichi sobre diversidade, pelo nome da província japonesa em cuja capital foi assinado o Protocolo de Nagoya.

“É muito difícil chegar aos 10% sugeridos apenas com áreas costeiras, e não será tão rica e diversa a zona de proteção se não for incorporada parte do oceano”, disse Andrea, que tem grande expectativa na sanção do projeto que protege o Banco Burdwood. Para a Fundação Vida Silvestre e outras organizações ambientalistas, a criação de uma área protegida puramente marinha apresenta um enorme desafio para seu manejo, a cargo de vários órgãos estatais e ministérios, já que se trata de fazer um acompanhamento remoto de um espaço no qual intervêm múltiplos atores.

O projeto pretende dar à nova área de preservação o nome de Namuncurá, em homenagem ao indígena Ceferino, da Patagônia, morto ainda jovem, no começo do século 20, e hoje em processo de canonização. Entretanto, manterá o nome de Burdwood para o acidente geográfico, em cujo entorno se prevê um zoneamento de 34 mil quilômetros quadrados.

O biólogo Santiago Krapovickas, coordenador do Fórum para a Conservação do Mar Patagônio e 
Áreas de Influência, disse à IPS, se referindo à criação da área oceânica, que “será a primeira vez que se tenta algo assim na Argentina”. E acrescentou que “nós, que trabalhamos em conservação, estamos muito esperançosos com esta novidade, porque se trata de um sítio único no mar argentino, muito singular, pouco explorado, delicado, com espécies que ainda nem foram descritas”.

Em razão deste projeto, o Fórum, que reúne diversas organizações de Argentina, Chile, Uruguai e outras internacionais, está recopilando informação científica sobre a área para divulgar a riqueza que guardam essas profundezas marinhas. Na área em questão, há esponjas, crustáceos, tubarões, merluzas de cauda, austral e negra, pinguins de penacho amarelo e de frente dourada, variedades de albatrozes e petreles, golfinhos austrais, elefantes e lobos-marinhos, entre outras espécies.

Krapovickas explicou que a meseta submarina é rodeada por uma corrente marinha fria que vem das Ilhas Malvinas e, ao se encontrar com este obstáculo, movimenta o fundo, que é muito rico em nutrientes, gerando uma área ideal para a reprodução. Também destacou que, por ser um fundo marinho relativamente pouco profundo sobre a meseta – entre 100 e 200 metros – recebe luz solar, um fenômeno que permite o desenvolvimento do fitoplâncton, que está na base da cadeia alimentar.

O biólogo explicou que atualmente o banco não está ameaçado. Não é uma área tão apreciada para pesca, porque há outras de acesso mais fácil e porque agora os preços internacionais não justificam o esforço de captura. E acrescentou que tampouco se vê risco de exploração de hidrocarbonos, pelo menos no momento, apesar de estar perto das Malvinas, em disputa de soberania com a Grã-Bretanha, que as ocupa desde o século 20, e em torno das quais há projetos de prospecção.

Krapovickas, de todo modo, acredita que é “um bom momento” para delimitar ali uma área de proteção e paz. “É importante para a pesquisa científica, que é uma atividade pacífica e para benefício da humanidade”, enfatizou. Sobre o acompanhamento, acredita que as novas tecnologias permitirão um controle e até um programa de pesquisa realizado à distância.

“Não é preciso dispor o tempo todo de embarcações ou helicópteros, pois temos satélites, inclusive um argentino, o SAC-D Aquarius, com sensores remotos projetados especialmente para obter dados marinhos”, ressaltou. Por essa razão, a partir de agora deve-se incentivar a comunidade científica a se preparar para baixar esta informação e ter acesso a conhecimentos que permitam a melhor preservação dessa afastada área oceânica. Envolverde/IPS

 

Capital Verde Europeia de 2013, Nantes tem foco no transporte sustentável

Portal EcoD (© Copyright (c) Source Company Ltd. 2006, All Rights Reserved.)Uma cidade que estimula a redução do uso dos carros no centro urbano, a promoção do transporte público, das bicicletas e de mais qualidade de vida para os pedestres. Assim é Nantes, na França, nomeada Capital Verde Europeia de 2013.


Capital Verde Europeia de 2013, Nantes tem foco no transporte sustentável

Uma cidade que estimula a redução do uso dos carros no centro urbano, a promoção do transporte público, das bicicletas e de mais qualidade de vida para os pedestres. Assim é Nantes, na França, nomeada Capital Verde Europeia de 2013, conforme divulgaram os pesquisadores da Plataforma de Cidades Sustentáveis.

A cidade foi a primeira na França a reintroduzir os bondes elétricos de forma bem sucedida, esforço que será mantido e reforçado com o investimento para o aumento da quantidade de linhas e para a melhoria da qualidade de serviço de ônibus e de infraestrutura cicloviária.

Ambiciosa, a política de transportes mostra melhorias na redução da poluição do ar e nas emissões de CO2, principal gás de efeito estufa e vilão das mudanças climáticas. Todos os indicadores de poluição atmosférica (NO2, PM10 e O3) estão abaixo dos valores-limite. Essa política, junto a um plano climático local, tem reduzido as emissões para 4,77 toneladas per capita.

Qualidade do ar e coleta seletiva

A cidade também tem disponível todas as informações locais referentes à qualidade do ar e à poluição sonora (Les Cartes de Bruits) georreferenciadas, que auxiliam no planejamento local e nas intervenções para melhorias da qualidade de vida.

Nantes possui, ainda, um sistema de coleta seletiva porta-a-porta nas áreas urbanas densas. Desde 1999, nenhum resíduo biodegradável é destinado ao aterro e a taxa de reciclagem em 2009 era de 38%, reduzindo, também, a incidência dos resíduos incinerados.

Entre os principais objetivos de Nantes para os próximos anos destacam-se a implantação uma política de planejamento do território da cidade, promovendo o acesso aos serviços públicos de forma igualitária, garantindo melhor qualidade de vida à população; e elevar a consciência dos moradores sobre a prevenção dos resíduos, além de promover adaptações dos serviços públicos, reduzindo a produção de resíduos domésticos.

Resultados de Nantes:

2007: A metrópole de Nantes lança um Plano Climático que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 30% até 2020 e em 50% até 2025;

2010: Lançamento do Workshop Clima, que busca mobilizar moradores da metrópole para enfrentar este desafio;

95% dos habitantes possuem acesso ao transporte público a menos de 300 m de suas casas;

Todos os habitantes possuem acesso a uma área verde a menos de 300 m de suas casas;

O total de áreas verdes é de 3.366ha, representando 57m² por habitante;
60% do território são constituídos por áreas verdes, naturais ou destinadas para a agricultura, estimulando a conservação e a produção local;

Em 2008, a relação de coleta seletiva foi de 53kg/habitante/ano;

Gestão sustentável da água: sem contaminação por pesticidas, economia na produção no sistema, redução do consumo, melhoramento dos ambientes aquáticos, análise sobre riscos de inundação e uso da água de chuva.

Pesquisadores descobrem 126 novas espécies no Sudeste Asiático

BBC Brasil (© BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.)Relatório da ONG WWF revela lista de animais que inclui peixe cego e sapo que canta.

Novas espécies

Pesquisadores identificaram 126 espécies animais e vegetais até então desconhecidas no Sudeste da Ásia, na região conhecida como Grande Mekong (que engloba Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, 
Vietnã e um pedaço da China), informa um relatório recém-divulgado pela ONG WWF.

Entre as novas espécies encontradas estão um morcego vietnamita batizado de Murina beelzebub por causa de 'sua aparência maligna', um peixe cego, um sapo que canta como um pássaro e uma víbora de olhos vermelhos.

'Ainda que essas descobertas (datadas de 2011) reforcem o Mekong como uma região de biodiversidade incrível, muitas dessas novas espécies já estão lutando para conseguir sobreviver em habitats que estão encolhendo', afirma Nick Cox, diretor da WWF na região.

Desde 1997, mais de 1,7 mil espécies foram identificadas pelos cientistas na região. Segundo Cox, o rio Mekong, que atravessa a área pesquisada, 'contém biodiversidade aquática que só perde para o rio Amazonas'.

'A caça ilegal é um dos maiores desafios para a sobrevivência de muitas das espécies no sudeste da Ásia', acrescenta o diretor da WWF.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Um crime contra a vida!

América do Sul descobriu 100 bilhões de barris de petróleo na última década


Plataforma da Petrobras / Reuters
Com pré-sal, Brasil pode ajudar América do Sul a se tornar 'potência energética'
Na última década, foram descobertas reservas estimadas em cerca de 100 bilhões de barris de petróleo na América do Sul, levando especialistas a acreditar que a região pode se tornar autossuficiente no setor.

O dado é do diretor executivo da Associação Latino-Americana de Integração Petroleira (ALIP), o engenheiro de petróleo Nicolás Honorato. A ALIP foi criada em 2009 para atender à crescente demanda de profissionais do ramo e para a troca de informações sobre o uso de tecnologia com o aumento das descobertas de petróleo na região.
"Quase todos os dias são anunciadas descobertas de petróleo na América Latina. E a América do Sul vive um momento histórico, porque além das descobertas convencionais surgiram o pré-sal, no Brasil, o gás de xisto, na Argentina, e o aumento impressionante de descobertas e produção de petróleo (convencional) na Colômbia", disse Honorato à BBC Brasil.

O grosso das novas reservas, 80%, vem do pré-sal brasileiro. Os restantes 20% estão nos subterrâneos de países como Colômbia, Argentina, Bolívia, Equador e Peru. Uruguai e Paraguai também têm a expectativa de explorar possíveis reservas ainda em fase de prospecção.

Autossuficiência

Na avaliação de Honorato, tais descobertas poderiam levar a região perto de se tornar autossuficiente.
Tal opinião é compartilhada pelo ex-secretário de Energia da Argentina, Daniel Montamat, e o ex-vice-ministro da Bolívia, Carlos Alberto López.

Além das descobertas de novos campos, eles também creditaram a previsão otimista à estabilidade econômica e política da região, apesar de anúncios recentes de nacionalização de empresas estrangeiras, como foi o caso da YPF, controlada pela espanhola Repsol, na Argentina.

Segundo Honorato, prova do potencial da região é o interesse recente demonstrado pelas empresas estrangeiras.

Para o especialista, muitas delas têm mirado a América do Sul já que a produção em outras regiões do planeta, como no Mar do Norte, está em queda.

"Todos os olhares do mundo petroleiro estão voltados para a América do Sul e para a América Latina em geral por ser uma das regiões que mais tem anunciado a descoberta de reservas estimadas de petróleo", destaca.
Lula / Reuters
Reservas do pré-sal brasileiro foram descobertas durante governo Lula

Para Honorato, grande parte do sucesso da região poderá vir do Brasil.

Segundo ele, caso as reservas do pré-sal brasileiro - estimadas por ele em 80 bilhões de barris de petróleo e pelo governo brasileiro entre 70 a 100 bilhões de barris - sejam realmente confirmadas, o Brasil passaria a ser o sexto país com as maiores reservas da matéria-prima no mundo, atrás de alguns países do Oriente Médio e da Venezuela.

Atualmente, o Brasil tem reservas estimadas em aproximadamente 13 bilhões de barris, de acordo com a agência de energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), e ocupa a 14ª posição mundial.

Tecnologia

Para López, da Bolívia, o segredo da exploração do ouro negro está no uso da tecnologia cada vez mais avançada.

"A aplicação de novas técnicas e condições geopolíticas nos permitem dizer que ser uma região autossuficiente já não é mais apenas um desejo. Só não sabemos quando ocorrerá", afirmou.

Montamat concorda e diz acreditar que a tecnologia será "decisiva" para que a região passe a ser uma potência petroleira.

"A região como conjunto não é potência de petróleo e de gás porque as reservas ainda precisam ser desenvolvidas", explica.

"Mas a Venezuela, por exemplo, por si só, já tem mais reservas provadas do que a Arábia Saudita", acrescenta.

Dados de 2011 da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) indicam que a Venezuela possui reservas estimadas em 297,5 bilhões de barris, enquanto as da Arábia Saudita alcançariam 265,4 bilhões de barris.

Recentemente, lembraram os especialistas, Uruguai e Paraguai também anunciaram planos de prospectar petróleo em seus territórios, apesar de o quadro ser ainda embrionário.

Estabilidade

Honorato também lembrou que a estabilidade política e econômica conquistada pela América do Sul nos últimos anos ajudou a atrair o interesse de empresas estrangeiras do ramo do petróleo e gás.

"Empresas, principalmente, da Europa e do Canadá estão se orientando para a América do Sul e este movimento começou antes do pré-sal", disse.
Campo de petróleo na Colômbia  / Crédito: Minminas
Para Honorato, estabilidade econômica e 
política contribuiu para atrair empresas de óleo e gás

Apesar de ter mencionado o atraso nos leilões do pós-sal e do pré-sal no Brasil, Honorato afirmou que a situação hoje na região é muito mais favorável ao capital estrangeiro do que antigamente.

Um dos exemplos, segundo ele, foi a Lei do Petróleo no Brasil, que acabou com o monopólio da Petrobras e, assim, permitiu a exploração de campos por empresas estrangeiras.

Honorato mencionou também que, em 2005, a Colômbia mudou seu marco regulatório, despertando uma espécie de "corrida ao ouro negro" do país.

A expectativa é de que o país deixe de ser importador e passe a ser exportador de petróleo e, assim, como ocorre com a Venezuela e o Brasil, passe a desfrutar as maiores receitas geradas pelo combustível.

Segundo ele, o Equador também mudou seu marco regulatório e aumentou a chegada de investimentos no setor petroleiro.

Já o Peru, na sua avaliação, é um país que "ainda não decolou" e registra uma produção abaixo dos 50 mil barris diários.